quarta-feira, 8 de julho de 2009

Noites de almas longas

Depois do jantar ficou só malta jovem que acabou no bar dançante. Tanta gente jovem junta a uma quarta-feira ao som de músicas velhas!
Foi o pessoal mais ou menos habitual. Havia uma rapariga nova no grupo, parecia sabe-la toda! Estava a ensinar a analisar as pessoas e a falar do que as pessoas demonstram e do que as pessoas realmente querem! A mim durante o jantar tinha-me feito elogios, para me soltar um pouco aqui e ali para ficar no ponto! À qual eu respondi que não podia mudar assim, deixava de ser eu, e que só ao sábado é que me transformo!
Mas o comentário na pista é que acabou comigo. Ela olha bem para mim e diz:” Tu nitidamente precisas de alguém que te salve do teu lado sombrio!” Fiquei estupefacto e sem resposta, porque acho que desta vez acertou!
Talvez devesse olhar para as pessoas à minha volta… Não só olhá-las como um cenário. Olhá-las como partes iguais a mim e tentar unir-me. Estou assim tão fechado em mim, acomodado, ou semi-aberto…
Rock com charme, música vadia e não, não é fado. Rock inverso. Voos, abulia, reflexão e tudo o que a música pode causar.
Mais uma vez volto a dizer… Não sei quando me perdi. Não sei há quanto tempo desespero pela atenção dos outros. Tendências depressivas. Talvez inatas, talvez circunstancial… Mas esta semana já é a segunda vez que me dizem que tenho olhar de cachorro abandonado.
A solidão sombria mete medo, não aquela que nos é inata. Tenho medo da insanidade, não daquela que é permitida. Tenho medo de me perder, e perder-me do que me prende ao lado bom.
A minha dignidade, os amigos, a família, a esperança. Tudo se perde tão facilmente…
Estou tão revoltado comigo, revoltado com o mundo o universo. Tudo o que existe porque existo. Não compreendo de onde vem tanta revolta, mas dá vontade de voltá-la para mim. Receio o meu mal. Receio acabar por aí (ainda mais) perdido. Acabar num refúgio qualquer de álcool ou droga, ou num refúgio de insanidade. Procuro-me por toda a noite, sempre o mesmo sentimento de corpo entregue ao esquecimento, porque eu não estou nem está mais ninguém.
Mas será que não cresço? Eu não vejo substância, eu não vejo força. Dá vontade de gritar por alguém, mas nunca está ninguém, nem nunca ninguém me salva.

Os jovens ainda jovens perderam a sua juventude, e nasceu-lhes na cara uma ruga do brilho de cristal opaco que é este mundo.
Preciso onde me esconder das indomáveis loucuras que jamais cometerei e jamais alcançarei, neste impasse de velocidade vital que me vai fazendo sobreviver a tremores de vida que me engana e me aviva tão raramente e plenamente consciente de que é breve e que nem me aquece ou esquenta.
As luzes vão-se apagando e acendendo na cabeça das pessoas banais que moram na normalidade da minha vida e na rotina do mundo. Iluminam caminhos de pavimento calcetados de ossos humanitários.
Vamos deixar que a idade cumpra a sua função, vamos deixar que o dia ilumine. Vamos aguardar, resta esperar…
Onde vais tu pessoa normal?! Quem pensam enganar? Pôr uma pessoa anormal a ter uma vida normal?! Bem se podem enganar durante uma semana, vá, um mês de bom comportamento… A partir daí sejam compreensivos, abram a mente a novas possibilidades. Porque mais vale vê-lo viver do que fazê-lo sobreviver.
Matem-me por hoje e amanhã logo se vê!

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